faço carícias no papel,
de repente um anônimo me atrapalha
e me atrapalha
e me atrapalha e me atrapalha,
e depois me ajuda a reiniciar o poema.
desaparece no meio do texto, e no meio do nada,
e retorna no instante seguinte
com mais papel e mais poesia do que precisávamos.
e o poema não termina,
por excesso de anonimato:
de quem são essas mãos, qual poeta?
qual criatura?
Viviane de Sales (3001)

entre lápis e papel... by Grêmio Estudantil Vinícius Marcô Leandro is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.
sábado, 28 de junho de 2008
sábado, 21 de junho de 2008
BEM NO FUNDO
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Paulo Leminski
No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.
Paulo Leminski
sábado, 14 de junho de 2008
LEMBRANÇAS
Lembrei-me de onde vim,
da minha infância.
Só sei que vim de um lugar iluminado,
Em segundos tudo se escureceu.
Quando abri meus olhos
em torno de mim havia olhares brilhantes.
Com meus olhinhos vi a mais bela das mulheres
que deu-me um dedinho, em ajuda, ali me agarrei e
este dedo transformou-se numa mão e esta mão
Amparou-me por toda vida.
Esta mulher me ensinou tudo que sou,
lembro-me das horas que passamos juntas no parque.
Ela me botava umas roupas engraçadas.
Dava-me banho todos os dias, eu ficava cheirosinha.
Ela me deu varias broncas.
Mas hoje sei que foi necessário.
Hoje me respeito e respeito as pessoas.
Hoje eu sou amante da vida.
Não entendo tudo, mas ninguém entende.
O amor incondicional é um dos melhores tipos de amor.
Amar por amar sem fazer força nenhuma,
só amar. E sentir-se amado.
Minha mãe, meu maior amor, minha paixão incondicional.
Giuliana Carvalho (1001)
da minha infância.
Só sei que vim de um lugar iluminado,
Em segundos tudo se escureceu.
Quando abri meus olhos
em torno de mim havia olhares brilhantes.
Com meus olhinhos vi a mais bela das mulheres
que deu-me um dedinho, em ajuda, ali me agarrei e
este dedo transformou-se numa mão e esta mão
Amparou-me por toda vida.
Esta mulher me ensinou tudo que sou,
lembro-me das horas que passamos juntas no parque.
Ela me botava umas roupas engraçadas.
Dava-me banho todos os dias, eu ficava cheirosinha.
Ela me deu varias broncas.
Mas hoje sei que foi necessário.
Hoje me respeito e respeito as pessoas.
Hoje eu sou amante da vida.
Não entendo tudo, mas ninguém entende.
O amor incondicional é um dos melhores tipos de amor.
Amar por amar sem fazer força nenhuma,
só amar. E sentir-se amado.
Minha mãe, meu maior amor, minha paixão incondicional.
Giuliana Carvalho (1001)
terça-feira, 10 de junho de 2008
OBSERVAÇÕES
Sento-me num banquinho de madeira, todos os dias.
Paro, para observar o balanço das árvores
E assim consigo refletir
Sobre a vida, penso sobre o meu dia-a-dia.
Só ali
Consigo ver o que esta a minha volta
E mesmo parado vôo em meus pensamentos.
Só ali, observador de mim mesmo,
Consigo ver o mundo nos seus pequenos detalhes.
Consigo perceber a grandeza da criação:
vejo que somos tão diferentes já desde outros instantes,
Nós fundimos tamanha semelhança.
Eu sou o seu lado desconhecido
Ou o lado que você desaprendeu a enxergar.
Não temos explicações sobre o que vivemos
Mas não deixamos de viver.
Mas não enxergamos esta vida em volta.
Vivo em linha reta,
minha vida é como se fosse cego.
Este banco de madeira me faz ser mais humano.
Mas vejo que sou tão ser humano.
Preciso entende este universo,
Entender como eu sou como ajo, como me comporto,
Com sinto.
Mas depois de um dia ensolarado consigo por algumas horas
Me entender e entender o que esta a minha volta.
Sou o observador do banco de madeira
Mas simplesmente por ser tão apaixonado pela vida
Não entendo algumas coisas que ela diz.
Giuliana Carvalho (1001)
Paro, para observar o balanço das árvores
E assim consigo refletir
Sobre a vida, penso sobre o meu dia-a-dia.
Só ali
Consigo ver o que esta a minha volta
E mesmo parado vôo em meus pensamentos.
Só ali, observador de mim mesmo,
Consigo ver o mundo nos seus pequenos detalhes.
Consigo perceber a grandeza da criação:
vejo que somos tão diferentes já desde outros instantes,
Nós fundimos tamanha semelhança.
Eu sou o seu lado desconhecido
Ou o lado que você desaprendeu a enxergar.
Não temos explicações sobre o que vivemos
Mas não deixamos de viver.
Mas não enxergamos esta vida em volta.
Vivo em linha reta,
minha vida é como se fosse cego.
Este banco de madeira me faz ser mais humano.
Mas vejo que sou tão ser humano.
Preciso entende este universo,
Entender como eu sou como ajo, como me comporto,
Com sinto.
Mas depois de um dia ensolarado consigo por algumas horas
Me entender e entender o que esta a minha volta.
Sou o observador do banco de madeira
Mas simplesmente por ser tão apaixonado pela vida
Não entendo algumas coisas que ela diz.
Giuliana Carvalho (1001)
terça-feira, 3 de junho de 2008
Eu vi
Vi um homem chorar porque lhe negaram o direito de usar três letras do alfabeto para fins políticos. Vi uma mulher beber champanha porque lhe deram esse direito negado ao outro. Vi um homem rasgar o papel em que estavam escritas as três letras, que ele tanto amava. Como já vi amantes rasgarem retratos de suas amadas, na impossibilidade de rasgarem as próprias amadas.
Vi homicídios que não se praticaram mas foram autênticos homicídios: o gesto no ar, sem conseqüência, testemunhava a intenção. Vi o poder dos dedos. Mesmo sem puxar gatilho, mesmo sem gatilho a puxar, eles consumaram a morte em pensamento.
Vi a paixão e todas as suas cores. Envolta em diferentes vestes, adornada de complementos distintos, era o mesmo núcleo desesperado, a carne viva; E vi danças festejando a derrota do adversário, e cantos e fogos. Vi o sentido ambíguo de toda festa. Há sempre uma antifesta ao lado, que não se faz sentir, e dói para dentro.
A política, vi as impurezas da política recobrindo sua pureza teórica. Ou o contrário... Se ela é jogo, como pode ser pura?... Se ela visa o bem geral, por que se nutre de combinações e até de fraude? Vi os discursos...
(Carlos Drummond de Andrade)
Vi um homem chorar porque lhe negaram o direito de usar três letras do alfabeto para fins políticos. Vi uma mulher beber champanha porque lhe deram esse direito negado ao outro. Vi um homem rasgar o papel em que estavam escritas as três letras, que ele tanto amava. Como já vi amantes rasgarem retratos de suas amadas, na impossibilidade de rasgarem as próprias amadas.
Vi homicídios que não se praticaram mas foram autênticos homicídios: o gesto no ar, sem conseqüência, testemunhava a intenção. Vi o poder dos dedos. Mesmo sem puxar gatilho, mesmo sem gatilho a puxar, eles consumaram a morte em pensamento.
Vi a paixão e todas as suas cores. Envolta em diferentes vestes, adornada de complementos distintos, era o mesmo núcleo desesperado, a carne viva; E vi danças festejando a derrota do adversário, e cantos e fogos. Vi o sentido ambíguo de toda festa. Há sempre uma antifesta ao lado, que não se faz sentir, e dói para dentro.
A política, vi as impurezas da política recobrindo sua pureza teórica. Ou o contrário... Se ela é jogo, como pode ser pura?... Se ela visa o bem geral, por que se nutre de combinações e até de fraude? Vi os discursos...
(Carlos Drummond de Andrade)
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